O papel dos avós

Todo dia vejo pelos corredores aqui do Ibilce uma senhora com um bebê. Hoje está super frio, chovendo, e ela está por ai. Por vezes passeia com o bebê no colo, por vezes no carrinho, faz dormir. O bebê deve ter uns 6 meses. Concluí, por minha conta, que a mãe é aluna e a paciente vovó vem cuidar do neto enquanto a mamãe assiste aula.

Nessa avó podemos perceber o grau de dedicação e paciência que existe em todas (pelo menos na maioria que conheço).

Minha mãe, avó da Angelina, é meu braço direito, esquerdo e minhas duas pernas. Nem um terço da minha rotina seria possível sem o apoio dela.

As avós são mais pacientes, mais sensatas, mais serenas, mais carinhosas. Ou seja, são muito melhores que as mães. Como mãe tenho que pensar no trabalho, na medicação, nas consultas, nas vacinas, nas contas, na escola, na educação, nos horários. E, por um erro meu, acabo focando mais nas preocupações que na curtição.

No curso Beabá-Bebê na Unimed eles falam muito sobre o papel das avós e, muitas vezes, menosprezam essa pessoa tão fundamental. Parece que toda a experiência delas é errada. Peraí!!! Se fizeram tudo errado não estaríamos aqui, fortes e saudáveis.

Escuto muito minha mãe e pessoas mais experientes. Sempre dei chás (e a Angelina ama). Dei chupeta que minha mãe sempre insistiu que é uma benção. Essa semana passei vick na sola do pé da Angelina que uma prima disse que é bom pra tosse. Não comi, durante a amamentação, nada que alguém falou que pode dar cólica (o médico fala que pode tudo; por acaso ele é mãe?). Se é conversa de vó ou não, a Angelina não teve nada de cólicas. Outro conselho da minha mãe que segui era dar o luftal antes da cólica se manifestar.

Quando a Angelina nasceu pedi que minha mãe fizesse o papel de “minha mãe”. Ela cuidou muito de mim, da minha casa, das roupas pra lavar e passar. O papel de mãe da Angelina eu precisava exercer – cuidei do umbigo, dei os primeiros banhos, dormi sozinha com ela. Acho que isso é importante porque a mãe tem que passar por essa experiência.

Hoje a minha mãe é muito mais que avó da Angelina, é outra mãe que ela tem. Quando ela ta doente ou eu tenho compromissos, fica com minha mãe numa boa e tenho absoluta confiança.

Mas onde está o limite pra criança saber qual o papel de cada uma em sua vida? Acho que isso tudo tem que ser muito conversado. Ainda essa semana falei pra minha mãe que a pior coisa é quando os avós desautorizam os pais. Talvez os pais estejam errados e são mais duros, mas, na frente da criança, nunca deve ter esse tipo de conflito.

A Angelina já é sabida e fica bem mais folgadinha com a vovó do que comigo. Acho que é natural.

E tem também o vovô que exerce, com toda paciência, o papel de brincar, assistir tv, comprar dvd do PatatiPatatá, buscar leite 10h da noite porque não tem pra manhã seguinte, levar e buscar pra todo canto e tantas outras coisas que ele faz com tanto carinho e dedicação.

Olhando para eles vejo renovação e alegria. A vida deles parece outra, a fisionomia muda.

Repito: nem um terço do que sou e que faço seria possível sem os meus pais.

Muito importante é o diálogo, o carinho e a gratidão. Abençoados sejam as vovós e os vovôs.

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