Simplesmente: eu!!!

Casar, estar grávida, viver uma vida adulta é tudo de bom. Eu gosto de verdade. Sempre fui muito livre, leve, solta e independente. Vivi do meu jeito e sozinha até quase 30 anos, quando conheci o Daniel e achei que era hora de parar por ali. Foi uma decisão madura no momento que eu senti que deveria ser. Casamos, ganhei uma filha, uma vida em família, horários, responsabilidades, compromissos, satisfações. Ainda assim, escolhi e não me arrependo nenhum pouco. Acho bom demais ter uma vida pra chamar de nossa.

Depois veio a gravidez que é a coisa mais maravilhosa do mundo pra uma mulher. A barriga cresce, sinto cada vez mais esse alguém dentro de mim e a sensação é inexplicável. As vezes bate um medo do que vem pela frente mas sei que estou disposta a encarar e preparada pros desafios e medos.

Só que, de vez em quando, sinto saudades de mim. As pessoas me olham e dizem que to linda, que só engordei barriga, que tenho cara de grávida, etc. Da minha parte, quando olho no espelho, vejo que minha barriga é a maior benção, é linda mesmo. Os peitos estão mais bonitos também. Mas quando olho pra mim, enquanto mulher, só vejo um nariz imenso, inchado, redondo e feio. A pele manchada e os cabelos cada dia mais brancos e piores. É díficil me olhar como mulher, sinto-me só uma barriga que se arrasta.

Então quarta-feira resolvi tirar folga e ficar comigo. Convidei o amigo Edgar Machado (Didi, para os íntimos) e fomos ao cinema assistir Cisne Negro. Um filme sobre a loucura de uma bailarina… (aaah, e que saudades do balé também). Pude esquecer de tudo e me deixar invadir por uma história linda, emocionante e incrível. Muita risada e farra no shopping.

Na volta pra casa, eu de carro sozinha quase meia-noite na Andaló, um rapaz num carro do lado deu aquela paquerada. Óbvio que não dava pra ver a barriga, mas me senti o máximo e pensei “talvez meu nariz não esteja tão grande e feio assim”. Cheguei em casa toda sorridente e mais leve, renovagada. Quando comentei a história da paquerada no trânsito o Daniel morreu de rir, lógico. Em casa a gente não tem neuras de ciúmes bobos e ele sabe que isso não representa nenhuma falta de respeito nem ameaça à integridade dele.

Enfim, pude matar as saudades da Ká e ser, pelo menos por umas horas, simplesmente, eu!!!

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